Sábado, 13 de Junho de 2009

PORTRAIT













Domingo, 17 de Maio de 2009

FREE TIBET














Domingo, 2 de Setembro de 2007

INDIA no MON - Museu Oscar Nieymeyer


Para aqueles que estiverem em Curitiba ou de passagem pela capital paranaese a exposição INDIA - QUANTOS OLHOS TEM UMA ALMA estará em cataz no Museu Oscar Nieymeyer, até dia 14 de Outubro. A mostra é composta de 61 fotografias, texto e legendas na íntegra. O livro poderá ser adquirido na loja do Museu ou no site da livraria cultura.
( http://www.livrariacultura.com.br )

Sexta-feira, 3 de Agosto de 2007

BAHIA SAGA E MISTICISMO 2


A CULTURA DOS MUTILADOS


O desfibramento do sisal, executado nas obsoletas máquinas paraibanas, é a etapa de produção responsável pela mutilação de mãos e braços de aproximadamente dois mil trabalhadores, homens e crianças, segundo estatísticas do final do século XX.

Em 1985, o governo brasileiro, pressionado a solucionar esse problema, baixa uma portaria obrigando o uso de um dispositivo de segurança e incentiva a pesquisa para construção de equipamentos mais seguros. Entretanto, o descaso é grande: o dispositivo implantado é ineficaz, além de diminuir a produtividade, e novas máquinas nunca foram fabricadas. Desprotegidos pelas leis trabalhistas, os trabalhadores do sisal não têm direito a aposentadoria, a férias remuneradas nem a assistência médica e são muitos os casos de mutilados que não conseguiram se aposentar pela Previdência Social.

Este trabalhador, Elias Balbino Gonçalvez, 76 anos, é natural de Valente e começou em 1948 a trabalhar nos campos do sisal. Em 1953, foi vítima do mutilamento, o terceiro caso da região.

Povoado Junco de Valente, 1999-2000


Do cultivo da planta do sisal até a sua industrialização, sucessivas etapas ocorrem sendo o sistema de corte decisivo para a produtividade. No Brasil, o método de corte empregado é incorreto, rudimentar e desprovido de técnicas, baseado apenas na tradição. Esse é um dos principais fatores pelo qual a produção de sisal plantado no país permanece cerca de 50% abaixo do seu potencial.

Município de Valente, 1999-2000


Uma etapa bem definida na cadeia de produção do sisal é a seleção das fibras que são agrupadas em diferentes lotes, em função do comprimento, limpeza, cor e outros critérios.

Essa atividade é geralmente realizada pelas mulheres que laboram em condições insalubres, vulneráveis a doenças pulmonares devido à excessiva quantidade de pó produzido pela fibra do sisal. Alguns trabalhadores, mais precavidos, procuram amenizar os riscos com a improvisação de máscaras.
Município de Valente, 1999-2000

Terça-feira, 17 de Julho de 2007

BAHIA SAGA E MISTICISMO I



As imagens e textos de BAHIA - SAGA e MISTICISMO representam parte do conteúdo de um livro publicado na europa, em 2001, e fazem parte do acervo do Centro Português de Fotografia (CPF).















A peregrinação aos locais sagrados é um ato religioso de sacrifício, honra e louvor. É comum nas romarias, as penitências revestidas de fé e gratidão serem oferecidas em troca de graças recebidas. Em uma das grutas do santuário de Bom Jesus da Lapa, esta criança vestida de noiva, num gesto de sacrifício, expressa a fé e o estado de graça alcançados pelos seus familiares.

Rio São Francisco, 1998




“Há grutas na terra que decantam as grandezas do céu”. A de Belém é o berço do Redentor da Humanidade, a de Lurdes é o santuário de Maria. A de Bom Jesus da Lapa é um prodígio da natureza incrustada no coração do sertão baiano, um templo de misericórdia e esperança para milhares de fiéis que a visitam para cumprir sua promessas e implorar novas graças e benções.

No interior do Santuário, na gruta do Bom Jesus, os devotos diante da Pia Batismal louvam o Divino Espírito Santo.
Bom Jesus da Lapa. Rio São Francisco, 1989








De um lado do atlântico, o negro da África era tratado como boçal, vendido como mercadoria viva e traficado para o Brasil nos fétidos porões dos navios negreiros. Do outro lado do mesmo oceano, o negro - quando sobrevivente - era submetido aos trabalhos mais pesados e horrendos da história, aos açoites sem limites e a segregação. Há 500 anos carregando as cicatrizes da escravidão, o negro, ainda forte, nobre e delicado, em manifestação de fé e esperança empunha a bandeira branca do amor e da devoção, simbolizando a ternura do universo e o cuidado humano.

Santo Amaro da Purificação. Recôncavo, 2000










Os romeiros, ao tocarem as imagens dos santos que veneram, acreditam receber benções e graças por intermédio desses seres que já alcançaram a iluminação, ou que por suas virtudes são tidos como exemplos a serem seguidos. Apesar de algumas idolatrias, os devotos são conscientes de que a força não está nos santos feitos de barro, de gesso, madeira ou nos retratos, mas nas entidades por eles representadas. Esse culto é um preito de honra e testemunho de fé. E…, milagres são alcançados.


Rio São Francisco, 1999











Mística e Sincretismo,
por leonardo boff (*)

Todas as coisas têm seu outro lado. Todo visível tem sua porção invisível. Captar o outro lado das coisas, surpreender o invisível dentro do visível é dar-se conta de que o visível é parte do invisível e obra da mística.

Que é mística? Ela deriva de mistério. Mistério não é o limite do conhecimento. É o ilimitado do conhecimento. Conhecer mais e mais, entrar em comunhão cada vez mais profunda com alguém ou com a realidade que nos envolve, passar de visão em visão, ir além de qualquer horizonte é fazer a experiência do mistério. Ele perpassa todas as coisas, cada pessoa e o inteiro universo.

O mistério não se apresenta aterrador, como um abismo sem fundo. Ele irrompe como vida que chama para mais vida, como voz que convida a escutar mais e mais a mensagem que vem de todos os lados, como apelo sedutor para penetrar mais e mais na direção do coração de cada coisa. O mistério nos mantém sempre na admiração até o fascínio, na surpresa até a exaltação.

Que há de mais misterioso que a pessoa amada? Que mais fascinante que o olhar de enternecimento e de amor? Que mais profundo que o olhar inocente de um recém-nascido? Que mais majestático que um céu estrelado nas noites escuras do inverno?

Mística significa, então, a capacidade de captar e de se comover diante do Mistério de todas as coisas. Não é pensar as coisas, mas sentir as coisas tão profundamente que percebemos o Mistério que elas guardam.

Mas a mística revela toda sua significação profunda, quando detectamos o elo misterioso que une e re-une, liga e re-liga todas as coisas fazendo que sejam um Todo ordenado e dinâmico. Ele é uma Fonte originária da qual todas as coisas nascem, se afirmam e se sustentam.

As religiões ousaram chamar a esse Elo e a essa Fonte de Olorum das tradições nagô, de Javé da tradição judaica, de Tao do caminho espiritual budista, de Pai e Mãe de bondade da experiência cristã ou Deus das religiões do mundo. Não importam os mil nomes que se dê a esse Mistério vivo, o que importa é sentir sua atuação e celebrar a sua presença.

Mística não é, portanto, uma doutrina sobre Deus, mas uma experiência de Deus. Mística não é pensar sobre Deus, mas sentir Deus em todo o ser. Mística não é falar sobre Deus, mas falar a Deus, entrar em comunhão com Deus e sentir-se um com Deus. Quando rezamos, falamos com Deus. Quando meditamos, Deus nos fala. Viver essa dimensão no quotidiano de nossa existência é cultivar a mística.

Ao traduzirmos essa experiência inominável, na linguagem compreensível aos outros, inventamos doutrinas, elaboramos ritos, estabelecemos comportamentos éticos. Nascem então as muitas religiões. Atrás delas e nos seus fundamentos há sempre a experiência mística de uma pessoa ou de uma comunidade espiritual. Essa mística é o ponto comum de todas as religiões. Todas elas se referem a esse Mistério inefável que não pode ser expresso adequadamente por nenhuma palavra que esteja nos dicionários humanos.

Cada religião possui sua identidade e o seu jeito próprio de dizer e celebrar a experiência mística. Mas como Deus não cabe em nenhuma cabeça, pois desborda de todas elas, podemos sempre acrescentar algo a fim de melhor captá-lo e traduzi-lo para a comunicação humana.

Por isso, todas as religiões são, por sua própria natureza, sincréticas. Elas fazem o que qualquer organismo vivo faz. Assimilam todo tipo de alimento e o transformam em vida. No caminho para Deus podemos sempre somar porque Ele é sempre mais e maior de tudo o que pudermos dizer.

Deste fato, nasce a sinfonia das religiões, todas querendo celebrar o Mistério do mundo, todas se completando, todas se propondo a alimentar a chama sagrada que arde dentro do coração das pessoas, das coisas, do universo: Deus.

(*) Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escritor, autor de mais de 70 livros, um dos formuladores da teologia da libertação e portador do prêmio Nobel Alternativo da Paz de 2001.


Quinta-feira, 5 de Julho de 2007

INDIA 2


VARANASI - A ÚLTIMA PEREGRINAÇÃO


Há mais de 2500 anos, Varanasi abriga o grande santuário da morte: o crematório de Marnikarnika Ghat. É neste local que, sobre as fumegantes piras de fogo sagrado, dia e noite dezenas de corpos desaparecem diante dos nossos olhos.

Situada nas margens do rio Gânges, Varanasi é também conhecida como Cidade da Luz e da Morte, sendo um importante centro de devoção ao Deus Shiva. Morrer e ser cremado neste local é auspicioso, significa a libertação dos ciclos da reencarnação.

Em Varanasi, porém, nem todos os corpos são cremados: os das crianças e dos sadhus (almas consideradas puras) são lançados ao rio, não se submetendo às chamas da purificação.

Pó, cinza e nada. Sem sofrimento, nas margens do sagrado rio Gânges cumpre-se ritualmente este preceito.





No interior de uma instituição - Mukti-Bhavan - ainda lúcida aos 108 anos, a senhora acompanhada pelos familiares realiza a sua última peregrinação. A chegada da morte é aguardada com folhas de basílico (tulasi), comida não condimentada e água do sagrado rio Ganges. (1999)





Na crença hindu, morrer ou ser cremado na cidade de Varanasi, um das mais sagradas da Índia, significa a libertação dos ciclos das reencarnações. Assistir ao ritual até ao fim é auspicioso! (1999)





Ao Yajaman - filho primogênito do falecido - são-lhe atribuídos alguns rituais da cremação. Num gesto de total rompimento de laços afetivos com o defunto, o pote de barro será quebrado sobre as cinzas. (1999)





A morte para um hindu tem um significado especial, quase não há espaço para o sofrimento. As crianças revolvem as cinzas de mais uma cremação, restos de madeira serão aproveitados pelas mães na cozinha. (1999)




O trabalho no crematório é destinado à casta inferior dos Doms. No interior deste local uma fogueira é mantida, a partir da qual todas as piras são acesas. (1999)





O TRABALHO



Deoprayag - Uttar Predesh, 1998


"Engana-se quem pensa que, esquivando-se das ações e persistindo na inatividade, escapa dos resultados da ação.

Quem nada começa não pode entrar no estado de paz eterna; a inatividade não conduz à perfeição. E, na realidade, nem há coisas que se possam designar pela palavra inatividade, pois tudo no universo está em atividade constante e nada pode subtrair-se da lei geral…"

"Age! Porque na verdade agirás não importa o que faças, mas consegue desapegar-te dos frutos da ação! Dissolve assim o amor-próprio do teu ego, e com isto descobrirás o eu."


Bhagavad Gita, II – 22, 23
tradução: Francisco Valdomiro Lorenz
extraído do livro O ciclo do tempo (Simone Boger)

























Calcutá - West Bengal, 1998


























Puri - Orissa, 1998




Calcutá - West Bengal, 1998



Calcutá - West Bengal, 1998



RETRATO


"O silêncio já se tornou para mim uma necessidade física e espiritual. Inicialmente escolhi-o para aliviar-me da depressão. A seguir precisei de tempo para escrever. Após havê-lo praticado por certo tempo descobri, todavia, seu valor espiritual. E de repente dei conta de que eram esses momentos em que melhor podia comunicar-me com Deus. Agora sinto-me como se tivesse sido feito para o silêncio."

Gandhi


















CRIANÇA



"Se, pelo banho diário, Deus pudesse ser conhecido,
eu depressa me tornaria uma baleia no oceano profundo;

se comendo raízes e frutos, Ele pudesse ser apreendido,
alegremente eu escolheria a forma de uma cabra;

se o desfiar de rosários O descobrisse,
em gigantescas contas diria minhas preces;

se curvar-me ante imagens de pedra O revelasse,
humildemente adoraria uma montanha de sílica;

se bebendo leite, o Senhor pudesse ser ingerido,
muitos bezerros e crianças O conheceriam;

se abandonando a esposa, alguém pudesse intimar Deus
a visitá-lo, não haveria milhares de eunucos?

Mirábaí* sabe que para encontrar o Deus Único
é indispensável somente o Amor."


*princesa medieval de Rajput que abandonou a corte para buscar
a companhia dos santos

extraído do livro
Autobiografia de um Iogue – Paramahansa Yogananda
tradução: Adelaide Petters Lessa

















Terça-feira, 3 de Julho de 2007

ÍNDIA 1




Amor à Índia


A Índia tem sido percurso quase obrigatório na carreira de inúmeros fotógrafos humanistas e uma espécie de fonte inesgotável de valores metafísicos para aqueles que buscam o amadurecimento espiritual, o autoconhecimento e a compreensão da verdadeira razão da nossa existência.

Em 1997, no aeroporto de New Delhi, respirei pela primeira vez o cheiro adocicado que impregnava aquela madrugada de Novembro. Regressei à Índia diversas vezes e, durante meses, debrucei-me sobre a alma de um país que, apesar das suas heterogeneidades sociais, ostenta o título de "maior património espiritual do planeta".

As fotografias, legendas e textos respectivos aos ensaios ÍNDIA 1 e ÍNDIA 2, aqui postados, representam parte do livro Índia Quantos Olhos tem uma Alma, projeto este publicado na Europa em 2000 e acolhedor de duas premiações: o Prêmio Máximo da II Bienal Internacional de Fotografia da Cidade de Curitiba e a Gold Medal (Medalha de Ouro) atribuída pela Society for News Designer, EUA.

Apresentada em capa dura, a obra é composta de 115 páginas, 61 fotografias em preto e branco, legendas e poesias de Mahatma Gandhi, Gilberto Gil, Yogananda e Bhagavad Gita. Aos interessados na aquisição, a mesma poderá ser feita através do site da Livraria Cultura ( www.livrariacultura.com.br ).

Aos visitantes, a minha sincera gratidão e a promessa de que este projeto BLOG estará sempre alimentado por novas imagens e textos.

Com fraternura, Marcelo Buainain




KUMBHA MELA



Na Índia, os rios são equiparados às divindades, sendo o Ganges o mais sagrado de todos. Banhar-se em suas águas é sinônimo de purificação e limpeza do karma, garantia de um bom renascimento. Aos oito anos, esta criança da casta Brâmane recebe o cordão janoi, simbolismo do nascimento espiritual. O corte de cabelo representa a humildade e o desapego da aparência física.




A iluminação é o real propósito da vida. Os hindus praticam uma série de rituais de devoção, entre os quais a peregrinação a lugares sagrados. Nas águas do Ganges, uma devota hindu no ritual diário de purificação.




Atingir a iluminação requer práticas de austeridade, renúncia às castas e ao mundo material. Como prova de transcendência da sexualidade e desapego da matéria, o anão torce o próprio pênis.



Na Índia todo ato é divinizado. Comer, beber, banhar-se, atender ao próximo, sempre são oportunidades de servir à Deus, de reconhecer a natureza divina de todas as coisas . O simples gesto de ingerir água é visualizado como purificação do corpo, sacralizando-o como templo do espírito.



Local: Índia/Kumbha Mela, Haridwar 1998 / Livro "Índia Quantos Olhos tem uma Alma"



SIKHS - GUERREIROS DE DEUS

A comunidade sikh foi obrigada a constituir uma tradição militar para combater a tirania e as injustiças contra a sua crença. O uso do Kirpân é autorizado pela Constituição indiana e não representa apenas uma arma, antes de tudo é um símbolo de liberdade e soberania. (1999)




Em Abril de 1999, milhões de peregrinos sikhs, de vários lugares do mundo, deslocaram-se à cidade de Anandpur, Estado do Punjab, para a comemoração dos 300 anos da fundação da ordem Khalsa.




O templo dos sikhs é denominado Gurdwara. No seu interior desenrola-se a vida religiosa e meditativa dos fiéis. Ao contrário dos hindus, não praticam a idolatria de imagens. O que confere sacralidade ao templo é a presença do livro Granth Sâhib. (1999)





Das grandes religiões, o Sikhismo é a mais recente e que conferiu à mulher igualdade em relação ao homem. Na cidade de Anandpur, Punjab, uma norte-americana convertida ao Sikhismo lê o livro sagrado dos sikhs, o Granth Sâhib. (1999)




Num acto de respeito e purificação, sob orientação da mãe, uma criança banha-se na piscina do templo de New Delhi. (1998)




"Servir a Deus é servir ao próximo". Com base neste pensamento, os sikhs prestam inúmeros serviços sociais às pessoas, independentemente de castas ou crenças. Na cozinha comunitária de um templo sikh, homens e mulheres preparam a comida sagrada para alimentar milhares de peregrinos. (1997)




O uso do turbante. Um ritual diário entre os sikhs que requer paciência e técnica.